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24/06/2009 01:14 EU TÔ TRANQUILÃO
Olá passageiros do BONDE!
O último post que fiz sobre música gerou uma polêmica nacional (risos)! Então resolvi escrever de novo sobre o assunto, e escolhi um tema “polêmico”: o FUNK CARIOCA!
Coloquei “polêmico” entre aspas porque, do meu ponto de vista, a única “polêmica” do funk é a do eterno PRECONCEITO da classe MÉRDIA brasileira com tudo o que advém das classes populares. Do funk, a única coisa que eu não gosto é do nome (porque “funk”? Por que uma palavra em inglês para algo tão brasileiro?); de resto, acho a manifestação cultural / musical mais importante a surgir nos últimos tempos no Rio de Janeiro. Desde pelo menos os anos 1970 que não aparecia nada tão bom, tão novo e tão forte na cultura popular da cidade.
Pior é o seguinte: as mesmas pessoas que têm preconceito contra o funk costumam gostar de coisas infinitamente menos interessantes – como, por exemplo, o “Rock Anos 80”. Claro... o rock anos 80 era coisa de classe média, né? Feito PELA classe média PARA a classe média. Não quero cuspir no prato que comi, porque é evidente que já escutei muito as bandas da época (e gosto de alguns bons momentos delas); mas para mim não tem nem comparação entre esse rock mauricinho, copiado dos americanos, e o som absolutamente impactante, envolvente e rico do funk.
Nada de novo nesse preconceito. É a mesma classe mérdia que, no passado, tinha “vergonha” do samba; os mesmos falsos moralistas que o consideravam “indecente,” “chulo”... Antes, diziam que a verdadeira música brasileira era Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, etc; agora, fica um monte de órfãos da Bossa-Nova dizendo que bom mesmo é Chico Buarque, e que o funk não é música.
(em tempo: adoro bossa-nova e Chico é uma espécie de mito para mim. Mas nem por isso sou cego para o novo).
Deixa ser, deixe estar... quando o funk receber o seu devido valor – e isso não tardará – a máscara do preconceito vai cair bonitinho. Provavelmente, isso vai acontecer “de fora para dentro”, isto é, quando os gringos derem ao funk o merecimento que ele deveria ter aqui, e não tem. Aí, finalmente, esse bando de babaca, papagaio de pirata, vai se sentir “orgulhoso” do funk ser brasileiro, “a melhor música popular do mundo!”
Sobre o funk tenho muitas coisas para falar. Só que, na parte musical em si, é difícil expressar as coisas só escrevendo. Acho que, se partirmos do “Miami Beat” e dos “funk melodys” e olharmos o que o funk é hoje, com atabaque, berimbau, pandeiro e sei-lá-o-que mais tudo sampleado, acho que houve uma verdadeira revolução! Por isso, discordo de quem fala que funk bom é só os antigos. Musicalmente, acho que hoje o funk é bem melhor.
Em termos de letra também. Mas, neste ponto, é claro que há muito o que evoluir. Não falo isso do ponto de vista de um “intelectual” que quer ver o português correto nas letras, mas em termos de poesia popular mesmo. Hoje, há funks com letras ótimas sendo feitos, e que muita gente desconhece; muitos têm letras “engajadas”, digamos assim, e outros falam de coisas do cotidiano das favelas do Rio, mas de forma criativa e legal. Alguns “clássicos” já ficaram definitivamente marcados na herança cultural do Rio e do Brasil.
Mas a verdade é que a mídia só tem dado espaço para o “funk putaria,” e os funks bons acabam meio desconhecidos do grande público. Nada contra a putaria, que é bom e todo mundo gosta; mas baixaria pura não tem valor artístico, né? Aí não é moralismo, mas simplesmente separar alhos de bugalhos. Acho que cabe aos próprios funkeiros lutar contra essa máquina que está aí, e eles têm se organizado para isso. Quem conhece o funk só da sala de estar ou dos bailes do asfalto não sabe, mas há uma articulação cada vez maior no meio funkeiro.
Fora a parte musical, quero aqui salientar dois aspectos do funk, que nunca vi ninguém falar por aí. São umas idéias que tenho tido, e queria compartilhar com meus milhares (risos) de leitores.
Como é sabido, a indústria fonográfica, da forma como a conhecemos, está em vias de extinção completa. Acho que, na criatividade infinita do saber popular, os funkeiros do Rio estão mostrando para todo mundo uma possível alternativa para a indústria cultural. É uma alternativa barata e mil vezes mais democrática, em que a grana que rola é menor, mas pode ser melhor distribuída. Além disso, permite uma diversidade musical muito maior.
O lance é a Internet, obviamente. Acho que o futuro será o seguinte: os sites distribuidores de música gratuita (hoje perseguidos, e quero falar sobre isso futuramente) se tornarão referência, verdadeiras “marcas”, com “recall” entre os usuários. Quem quer música boa, vai procurar no site tal. Para os músicos pode rolar parte da verba publicitária do site, ou mesmo uma grana para colocar a música lá, além de servir de divulgação para o trabalho (daí mais convite para show e mais grana).
É claro que, comparado com as cifras astronômicas do atual esquema, isso é mixaria. Mas a quem interessa esse sistema astronômico? À cultura popular é que não é. Os funkeiros, que vêm do morro e nada tem a perder, estão dando mostrando o caminho: eles mesmo organizam seus sites e vão à luta. Hoje, certos sites são referência no mundo do funk, e acho que é por aí que a coisa vai. O funk está cantando a pedra, é só prestar atenção.
(em tempo: não sei se a coisa é “democrática” mesmo ou se fica um monte de espertalhão lucrando com o talento dos pobres. Mas é possível fazer de forma democrática, basta querer).
A outra coisa que queria falar é o seguinte: acabei de morrer de rir com o “Funk do Joel Santana.” Para quem não sabe, é uma montagem que usa o ritmo de funk e umas entrevistas do folclórico técnico de futebol, em seu inglês peculiar.
Já podemos dizer que esse tipo de montagem, que pega coisas do cotidiano e mistura com funk, já virou tradição no Brasil. Tudo o que acontece de inusitado ou engraçado, na atualidade, vira funk na Internet.
Pois sabe o que isso me lembra? As antigas marchinhas de carnaval. Claro que de uma forma completamente diferente, mas a idéia é a mesma: pegar alguma coisa do cotidiano e fazer troça, colocar na boca do povo, dar risada através da música. Ainda é uma coisa que está engatinhando, e que dá para ser muito melhor do que está. Mas é muito interessante isso também.
Bom... vamos parando por aqui.
Liberta DJ!
FUSER
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15/06/2009 23:00 MONSANTO DO PAU-OCO - parte III - O RETORNO DE JEDI
Caros passageiros,
pode-se dizer que, nesta série sobre os transgênicos, deixei o mais importante para o final. Mais do que uma questão sobre saúde pública, este post trata de discutir como o capitalismo atual subverte o próprio conceito da VIDA. Serve para refletir sobre as últimas fronteiras do capital, na sua ânsia infinita de transformar TUDO em mercadoria, impondo a todas as coisas, vivas ou mortas, a escravidão da valorização do valor, numa busca desesperada para adiar o colapso dessa lógica perversa.
Para entender como isso é possível, precisamos antes analisar mais a fundo a questão das patentes. Os tratados internacionais de patentes – que, na verdade, são imposições do Império ao resto do mundo, com a conivência das elites burguesas de cada país – permitem verdadeiros absurdos, contraproducentes em termos de tecnologia e absurdos em termos filosóficos e éticos.
Hoje, por exemplo, é possível patentear determinados padrões ou procedimentos de pesquisa. Aí, se um outro laboratório, pesquisando outra coisa mas utilizando procedimentos semelhantes (mesmo que desenvolvidos de forma autônoma), terá que pagar royaltes ao detentor das patentes ou interromper suas pesquisas. Quer dizer, é um contrasenso que favorece quem tem mais dinheiro (incluindo os PAÍSES que têm mais dinheiro) e impede o progresso da ciência. No caso do Brasil, foi o governo FHC que aceitou as imposições dos novos acordos de patentes, assinando tudo que os EUA impôs.
(em tempo: e depois o Serra, na época Ministro da Saúde, foi dar uma de herói peitando os grandes laboratórios e oferecendo remédios genéricos contra a AIDS para a África. Ora, se não fossem as leis internacionais de patentes, assinadas pelo próprio governo do PSDB, não seria necessário peitar ninguém...)
A intenção dos EUA com os novos acordos de patentes é clara: impedir que outro país, por esforços próprios, suplante a tecnologia dos EUA. É claro que sempre houve competição tecnológica, mas antes os EUA se mantinha na frente porque investia mais em ciência; agora, eles simplesmente tentam IMPEDIR que outros países façam o mesmo, emperrando o progresso da humanidade.
Deve-se salientar também que a discussão sobre “direitos autorais” é muito complicada. Quem realmente CRIA alguma coisa? Afinal de contas, tudo o que é inventado pelo homem não é mais ou menos copiado de experiências anteriores? Na verdade, qualquer cientista, inventor ou artista sempre parte dos exemplos de outras pessoas, e por isso é discutível até que ponto alguém pode ser considerado CRIADOR de alguma coisa.
Agora, com relação à VIDA, humana ou não, aí parece ser ponto pacífico que ninguém pode patentear, não é? Porque quando uma empresa patenteia uma forma de vida – independentemente das questões éticas e filosóficas envolvidas – está se apropriando de algo que, evidentemente, não foi criado por ela! No entanto, é exatamente isso que está acontecendo nos dias de hoje.
Os leitores antigos do BONDE já sabiam que as empresas de tecnologia genética estão PATENTEANDO seqüências de DNA dos mais diversos organismos, incluindo hormônios do corpo humano. Isso ocorre porque, quando fazem o genoma de um organismo, essas empresas não descobrem simplesmente para que serve cada seqüência de DNA; elas PATENTEIAM cada seqüência identificada, como se aquilo passasse a ser propriedade delas! Aliás, “como se passasse” não; ela de fato se torna dona! Detalhe: se depois aparece algum remédio, por exemplo, que use uma seqüência dessas, a empresa tem que pagar os royaltes para a empresa “dona” daquele DNA! Se não pagar, não pode fazer o remédio.
E no caso dos organismos geneticamente modificados? O que essas empresas fazem é mudar um genezinho aqui, outro ali, e depois apresentar o “pacote” todo como sua CRIAÇÃO. Para a Suprema Corte dos EUA – que autorizou o Escritório de Patentes a aceitar esse absurdo – isso não tem nada demais! E a coisa vai ficando por isso mesmo, já que, até hoje, DEUS não apareceu para processar ninguém por roubar sua criação...
Isso é MUITO perigoso. Vejam: plantas como soja e milho não existem na natureza, só nas plantações. Se os produtores mundiais continuarem a escalada da utilização dos transgênicos, em pouco tempo TODAS as sementes mundiais dessas plantas poderão pertencer a uma empresa, e só poderemos planta-las se pagarmos o que essa empresa exigir. Ficaríamos, dessa maneira, reféns de uma empresa privada para COMER.
Já pensou? A Monsanto pode simplesmente se tornar DONA DA SOJA DO MUNDO, ou do milho, do tomate... Se a moda pega, daqui a pouco vai ter empresa dona do cachorro, do papagaio, do avestruz... Já pensou? Quem quiser um cachorro terá que comprar da “Dog’s”!
Absurdo? Por quê? Legalmente, a lógica é a mesma. E olha que estão patenteando inclusive seqüências do DNA HUMANO!
Pior ainda: hoje, a Monsanto desenvolveu um tipo de soja transgênica chamada “Terminator”. Nada a ver com o governador da Califórnia, o que ocorre é que, depois que você planta essas sementes, mas elas geram plantas estéreis, cuja sementes não germinam. Imagina o perigo que isso representa! Poderemos, no futuro, simplesmente nos tornarmos reféns de uma empresa, que não só se torna DONA de uma espécie de vida da Terra como tem condições de impedir a reprodução dessa espécie fora de seus laboratórios. Isso não é “catastrofismo”, porque em vários países simplesmente não existem mais sementes naturais de algumas espécies.
Isso é um perigo também por outro motivo. Ao longo da evolução da agricultura, a biodiversidade foi uma das defesas da humanidade contra o surgimento de pragas potencialmente destrutivas. Isso porque, geralmente, quando uma praga surge, é possível combatê-la simplesmente plantando outra variedade da planta que seja mais resistente a ela. Não entendeu? É só imaginar o seguinte: se todos os seres humanos fossem geneticamente iguais, ficaríamos obviamente mais indefesos perante as doenças, não é? Pois o mesmo acontece às plantas.
Pois aí é que mora o perigo! Com o veneno da Monsanto, Cargill e similares, a biodiversidade da Terra está sendo atacada como nunca acontecera antes, colocando em risco o futuro da humanidade. Se uma “super-praga” surgir, a vaca pode ir para o brejo. Aliás, já houve casos isolados nos EUA, que precisaram ser combatidos com um veneno (adivinha de quem?) semelhante ao agente laranja.
Acha que acabou? Ainda não. Olha só essa:
As sementes da Monsanto contaminam qualquer plantação nas imediações. Isso porque o pólen da soja geneticamente modificada pode ser levado pelo vento ou por animais para uma plantação do lado, que não usa a semente transgênica. Então imagine: o produtor A compra a RoudUp Ready da Monsanto e planta no seu terreno; no outro lado da rua, o produtor B planta sementes naturais, visando o mercado crescente para “produtos orgânicos”. No entanto, o próprio vento faz a plantação do produtor B ser CONTAMINADA pela soja da Monsanto, fazendo com que ele perda seus mercados!
E não é só isso. Sabe o que faz a Monsanto? Simplesmente COBRA do produtor B a “utilização indevida” de suas sementes transgênicas! E ele tem que pagar, senão é preso! Milhões de agricultores mundo afora são processados pela Monsanto em casos como esse. Aí, até provar que focinho de porco não é tomada... Imagina a diferença entre os advogados da Monsanto e os de um reles produtor rural...
Aliás, foi com artifícios como esse que a Monsanto entrou no Brasil. Havia aqui uma legislação contra a venda de sementes transgênicas. O que a Monsanto fez? DEU sementes para alguns produtores (vender era proibido, dar não) e depois deixou o vento e os animais fazerem o resto. Em pouco tempo, vastas áreas foram contaminadas – o que, em conjunto com lobbies poderosos e subserviência do governo Lula – levou à aprovação de medida-provisória liberando os transgênicos no Brasil (supostamente, para salvar produtores contaminados pelo produto).
Putaqueopariu! É mole???? Para mim, isso é ato de guerra, é atentado à soberania. Uma empresa vem no Brasil e, desrespeitando a lei, espalha seu VENENO no nosso território, tentando escravizar nossa produção agrícola....
Olha, vou parar por aqui que estou meio puto só de escrever. Vamos lá, galera, quem leu, dá uma moral aí nos comentários!
Nem que seja para falar que tá transgênico (leia-se, uma merda).
Abração!
FUSER
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30/05/2009 00:54 MONSANTO DO PAU-OCO - parte II
Olá passageiros!
Depois de uma semana meio corrida, volto à carga! E, atendendo a pedidos, continuarei o assunto do último post.
Percebi, pelos comentários (não só os escritos, porque tem gente que lê e, por mais que eu peça, não escreve nada, preferindo falar comigo pessoalmente...), que muita gente desconhece o histórico das empresas de transgênicos, e por isso tendem a acreditar que “se fizesse mal não seria vendido no mundo todo”. Como disse no último post, empresas como a Monsanto eu conheço de outros carnavais. O histórico dela é coisa de filme de terror, e é até difícil saber por onde começar.
Acho que, de todas as malvadezas dessa empresa, a mais documentada é a do POSILAC, um hormônio usado em vacas para aumentar a produção de leite. Liberado após a Monsanto literalmente subornar os agentes da FDA (controle de drogas estadunidense), numa trama relativamente bem conhecida, o tal remédio causava uma verdadeira anomalia nas tetas das vacas, que inchavam e causavam muita dor nas pobres ruminantes. Além disso, a tal anomalia fazia com que saísse PUS das tetas, contaminando o leite produzido.
Para evitar o problema, os produtores deveriam injetar antibióticos nas vacas em quantidades – literalmente – bovinas, e esse antibiótico acabava passando para o leite também. Já pensou? Leite com pus e antibiótico! Nada mal, hein? Devo mencionar que, além de nojento, isso é muito perigoso, já que tomar doses homeopáticas de antibiótico é PEDIR para desenvolver bactérias mais e mais resistentes, criando novas doenças potencialmente perigosas.
O mais escabroso é que a Monsanto SABIA que isso acontecia, mas tentou calar todos que tentassem informar os consumidores dos EUA (e olha que era muita gente, já que o Posilac chegou a ser aplicado na maior parte do gado produtor dos EUA). Além de perseguir uns repórteres que descobriram a história toda, a Monsanto também tentou PROCESSAR empresas como a Starbucks e Kraft, simplesmente porque elas declaravam que seus produtos não usavam leite contaminado pelo coquetel de pus/Posilac/antibiótico da Monsanto.
Esse é o caso mais conhecido, mas a lista de atrocidades da Monsanto é muito, muito longa. Desde que começou suas operações, no início do século – quando ainda trabalhava somente com química pesada – a Monsanto já era infalível: TODOS os seus produtos eram extremamente perigosos para a saúde e para o meio-ambiente. Nos anos 1930, por exemplo, a empresa produzia o Bifenil policlorado, conhecido como PCB (não, não... nada a ver com comunistas, embora o PCB fizesse muito mal às criancinhas...).
O PCB era um produto comprovadamente muito tóxico e persistente no ambiente. Usado na indústria elétrica, seus resíduos contaminavam microorganismos que, depois, eram comidos por outros animais maiores, seguindo a cadeia alimentar até contaminar animais que servem de alimento para o ser humano. O resultado é que houve contaminação de um monte de gente, causando desde irritações cutâneas até problemas neurológicos. Detalhe: como continua fazendo até hoje, a Monsanto CONTINUOU vendendo o produto, mesmo depois que se comprovou seus efeitos nocivos.
Na década de 1960, a Monsanto desenvolveu o famoso “Agente Laranja,” usado pelos EUA no Vietnã. Supostamente, o produto causaria apenas o desfolhamento de plantas, mas logo se comprovou que ele causava terríveis efeitos em soldados estadunidenses e, obviamente, nos vietnamitas. Tudo graças à dioxina, presente no “agente laranja”, que pode ser considerada a substância mais tóxica que a humanidade já desenvolveu. Até hoje, vietnamitas e soldados estadunidenses sofrem com cânceres e problemas congênitos, causados pelo veneno da Monsanto.
Os vietnamitas só podem lamentar, é claro, mas os soldados dos EUA processaram a empresa. Para variar, a Monsanto MENTIU, apresentando estudos que “comprovavam” que ela não tinha culpa no cartório. Mais tarde, descobriu-se que ela simplesmente havia FALSIFICADO os resultados dos testes que tinha apresentado à justiça estadunidense.
Além desses casos mais famosos, a Monsanto cometeu muitos outros crimes, incluindo:
- vários desastres ambientais nos EUA, incluindo vazamentos de dioxina nas proximidades de suas fábricas, poluição de rios, etc;
- exposição de seus operários à produtos tóxicos;
- venda de resíduos perigosos à empresas de adubos (só com cádmio, um metal pesado perigosíssimo, a Monsanto vendeu mais de 6 mil toneladas);
- propaganda enganosa;
- produção de estudos “científicos” mentirosos, através do suborno de cientistas trambiqueiros (segundo o The Guardian, alguns desses cientistas chegavam a ganhar 1.500 dólares por dia);
- contaminação deliberada de plantações alheias com seus produtos transgênicos (como, aliás, ocorreu no Brasil);
- etc, etc, etc...
Em todos esses casos, o padrão sinistro da empresa se repetiu sempre: primeiro, negava todas as acusações, muitas vezes mostrando provas falsas de inocência; depois, gastava fortunas com advogados para tentar se inocentar; finalmente, quando a verdade vinha à tona, pagava alguns milhares ou milhões de dólares – que, perto dos lucros da empresa, não representam mais do que grãos de soja transgênica.
Tudo isso só pôde acontecer e continuar acontecendo porque empresas como a Monsanto contam com o beneplácito DESCARADO da grande mídia comercial. Quem não se lembra da reportagem da Globo, quando o MST invadiu laboratórios da Monsanto no Brasil e botou para quebrar? Ao invés de mostrar a verdade para os brasileiros, a Globo colocou “pobres cientistas” da Monsanto chorando no horário nobre, ante a “selvageria” dos sem-terra. Simplesmente uma atitude COVARDE e MENTIROSA da Globo, que mais uma vez serviu aos interesses mais acintosamente anti-democráticos, defendendo uma empresa estrangeira CRIMINOSA, que trouxe suas fábricas da morte para o nosso país. E o MST, de herói, foi transformado em vilão pela reportagem.
Como podem ver, mesmo quem não sabe nada de transgênicos tem motivos de sobra para desconfiar da Monsanto – e não só dela, porque a Cargill, Calgine e outras também têm histórico semelhante. Mas esse post foi só para identificar DE QUEM estamos falando. Na seqüência, vou continuar esclarecendo os riscos que corremos enquanto essas empresas continuarem livres para envenenar o nosso futuro.
Até breve!
FUSER
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19/05/2009 03:04 MONSANTO DO PAU-OCO
Olá passageiros!
Bom, o assunto hoje é transgênicos. Muita gente já ouviu falar, mas normalmente fica no “dizem que faz mal” ou – pior ainda – “não se provou se faz mal ou não”. Pois bem, quando um assunto sério desses é tratado dessa maneira, minha mão coça para escrever, né? Então vamos nós.
De cara, lembro que o assunto é longo, e dificilmente conseguirei tratar de tudo num post só (como escrevo mais ou menos de bate pronto, AINDA NÃO SEI se vai dar ou não!). Se não der para tratar tudo aqui, faço uma “série”. Ela continua se meus milhares de leitores (risos) gostarem. Comentem aí que a gente vê.
Que o transgênico é um alimento geneticamente modificado todo mundo sabe (será?). O que nem todo mundo sabe é PARA QUE e COMO ele é modificado. Antes de mais nada, devo admitir que meu conhecimento de biologia é meio “tele-curso 2°. grau.” Mas, vocês sabem... sou curioso, e resolvi dar uma estudada para ver como é que empresas como a Monsanto e a Cargill conseguem modificar o DNA de uma soja ou de um milho. Essas empresas eu conheço de outros carnavais recheados de cânceres e problemas congênitos, mas isso eu falo em outro post. Tem que ir como Jack, o Estripador: por partes.
Primeiramente, é necessário lembrar que não é fácil modificar o que a natureza levou bilhões de anos para fazer. O cerne do problema é enfiar dentro da célula o DNA modificado, para que ele “substitua” o DNA verdadeiro e a célula passe a produzir cópias modificadas. Muita gente acha que isso é feito com uma “injeção” minúscula, que enfia o DNA dentro da célula, mas não é assim. Na verdade, para fazer isso, a Monsanto usa uma bactéria causadora de TUMORES em plantas. Como é normal entre as bactérias, a dita-cuja tem a capacidade de romper com as defesas naturais das células, abrindo um buraco nelas; por este buraco, é inserido o DNA modificado.
Se até aqui você já ficou cabreiro, então senta e relaxa que nem começamos ainda. Vamos ver que DNA modificado é esse.
O DNA modificado é uma combinação de enxertos de várias BACTÉRIAS, sendo que a mais importante delas é uma que a Monsanto procurou por 12 anos, e que tem uma capacidade natural de resistir ao pesticida Round-Up. Esse pesticida, vendido por esta empresa, é extremamente danoso à saúde e cancerígeno (como, aliás, tudo quando é agro-tóxico). E tem um agravante: como ensinou titio Darwin, um dos problemas dos agrotóxicos é que as pestes vão se modificando e adquirindo resistência a eles. Historicamente, qual a “solução” implementada para resolver esse problema? Simplesmente tornar os pesticidas mais violentos, mais poderosos e, conseqüentemente, mais danosos à saúde.
Isso vem sendo feito por empresas como a Monsanto e a Cargill há décadas. Hoje, quem estuda o assunto fica alarmado, não só com o nível de substâncias tóxicas e cancerígenas que comemos com nossa comida, como também com as pragas cada vez mais resistentes que vêm surgindo. Sinistro, né? Mas calma... nada é tão ruim que a Monsanto não possa piorar!
Pois a soja modificada da Monsanto foi criada para sobreviver à doses rinocerônticas de Round-Up – isto é, ela não morre, mesmo que o produtor a soterre debaixo de quilos de agrotóxico. Assim, as pragas morrem, mas a soja sobrevive, empapada por camadas e camadas de produtos tóxicos. O que acontece com essa soja depois? Vai parar no óleo que você usa na cozinha, oras! Ou no chocolate que você comeu, e que levou óleo de soja em sua fabricação. Ou em qualquer produto que leve soja transgênica.
Enfim... com grandes chances, vai parar no SEU organismo.
Então veja: a Monsanto acha uma bactéria imune ao seu pesticida; pega o DNA dessa bactéria e mistura com o de outras; enfia tudo numa terceira, que abre buracos nas células da soja; aí a bactéria solta o DNA modificado dentro da célula da soja; e voilá! Salta uma soja imune ao veneno cancerígeno da Monsanto! Aí, é só adicionar litros de agrotóxicos e tá prontinho! Adoce a gosto.
Há ainda outros métodos. Um envolve eletrochoques para abrir brechas na célula, para o DNA entrar; outro usa uma espécie de pistola com minúsculas balas de ouro, que carregam o DNA modificado para dentro da célula. Em qualquer dos métodos, há ainda a utilização de genes de vírus e outras tranqueiras, para fazer a coisa funcionar mesmo. O detalhe mais escabroso é que essa combinação muito doida de genes se combina meio na “tentativa e erro”, e no processo surgem também coisas imprevistas, que se misturam e proliferam.
E o que dizem os testes sobre os transgênicos? Bem, a pergunta não é esta. O que se deve perguntar é: para que os testes, se eles simplesmente não são respeitados? Veja: a Calgine fez um tomate transgênico e colocou no mercado estadunidense; só que os 3 testes da própria empresa (isso mesmo, a empresa fez só TRÊS testes) revelaram, logo de cara, uma espécie de úlcera no estômago de ratos. O que aconteceu logo depois? O produto simplesmente foi colocado no mercado! O mesmo ocorreu com o milho StarLink, que causava reações alérgicas potencialmente fatais, e que foi liberado também.
Como é que pode?
Bem... eu vou ter que parar por aqui, que está tarde. Tem muita coisa ainda para falar, mas agora não dá. Se quiserem saber mais, avisem que eu continuo o assunto nos próximos posts.
Um abração!
FUSER
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06/05/2009 02:43 A ESQUERDA BURRA E A IDÉIA DE NAÇÃO
Considero-me um marxista, por respeito às idéias de Marx e por concordar com a grande maioria delas; mas não considero a obra dele necessariamente TOTAL. Uma coisa é pretender ser TOTALIZANTE, outra coisa é realmente atingir a totalidade. Então, sem dúvida, a análise de Marx sobre o capital é a melhor que a humanidade já desenvolveu até agora; mas é óbvio que há muitas coisas que ele não pôde analisar a fundo, mesmo no âmbito do próprio desenvolvimento do capital enquanto relação social de produção. O capital financeiro e o imperialismo, por exemplo, ainda davam seus primeiros passos enquanto Marx vivia. Mesmo assim, ele semeou diversas idéias que, até hoje, parecem ser os melhores pontos de partida para nossa compreensão desses aspectos do capitalismo atual.
O problema é que, infelizmente, alguns marxistas parecem enfeitiçados pela ilusão de que Marx – e o próprio bom marxismo – SÃO realmente aquilo que eles apenas tomaram como NORTE, isto é, que são de fato expressão da totalidade, e não uma análise que BUSCA a totalidade, porque reconhece a necessidade de construir a análise nesta direção. Pretender o mais possível a totalidade não significa alcançá-la – na verdade, sequer se deve ter essa pretensão.
O que os imbecis não percebem é que a identidade nacional e cultural de um país mestiço, ex-colônia, sub-desenvolvido e multi-étnico, JAMAIS poderia ser entendida em sua complexidade – ou mesmo percebida em sua importância – por um alemão do século XIX como era Marx. Por mais genial que fosse (e em muitos momentos ele até se mostra perspicaz, ao tangenciar essas questões vitais para o terceiro mundo), ele era prisioneiro de seu tempo e de seu lugar. É até anti-marxista achar que ele pudesse estar acima dessas limitações.
No fundo, esse é um problema típico dos teóricos de gabinete e da esquerda minúscula que não constrói nada (e aqui, deixando bem claro, não quero dizer que o PT é que está certo, porque para mim o PT é um partido de centro, com alguma herança coletiva de esquerda, hoje relativamente pouco influente).
Quem está na luta mesmo, não quer saber de onde vem a influência teórica ou política; o que contribuir para a libertação dos povos, o cara vai. Mas tem uma esquerda e uns teóricos de gabinete que, por se suporem tão senhores da verdade (afinal, “possuem o conhecimento TOTAL, a teoria PERFEITA”), são incapazes de perceber a importância de determinados fatores que, hoje, são primordiais na luta contra a opressão.
Esse me parece ser o caso da idéia da nação. Queriam ou não, sendo ou não a nação uma construção histórica das revoluções burguesas, ela AINDA é o lócus principal onde os indivíduos constroem sua identidade político-cultural, assim como suas possibilidades de ação coletiva. É claro que, hoje em dia, já se vislumbra a possibilidade de ações globais da classe trabalhadora; e esse vislumbre simboliza nosso norte, que sem dúvida deve ser internacionalista.
Mas, até chegar lá, há um longo caminho a percorrer! Como vamos chegar a esse nível de consciência por parte dos próprios trabalhadores? Certamente não será pelo “convencimento”, até porque é da luta que surge a consciência de classe, e a luta jamais vai para frente sem que a questão da identidade nacional seja encarada como parte fundamental.
Aliás, a história mostra isso INAPELAVELMENTE. Peguem TODAS as revoluções minimamente bem sucedidas, podem conferir! Em TODAS elas, o elemento nacional SEMPRE foi o detonador. Foi assim em Cuba; foi assim na China; foi assim em todas as revoluções de libertação (nacional) do terceiro-mundo; foi assim inclusive na Rússia, ao contrário do que pensam alguns imbecis, não conhecedores do processo da Revolução de 1917. E é assim também em todos os movimentos recentes que avançaram, pelo menos um pouco, na luta por uma sociedade mais justa (como a Bolívia e a Venezuela, para ficarmos apenas nos dois mais importantes).
Infelizmente, esse problema é ainda mais grave no Brasil, porque aqui a esquerda que sempre hasteou a bandeira do nacionalismo era a esquerda trabalhista, herdeira do varguismo. Sem querer esquecer os erros cometidos por esta esquerda (mas também sem desprezar seus logros), eu reconheço que, no que diz respeito especificamente à questão da importância na nação e da identidade nacional e cultural brasileira, eles estavam certíssimos!
Aliás, é só no Brasil que a esquerda mais avançada teoricamente é tão cega para um fator tão elementar; isso é absolutamente evidente para qualquer latino-americano. Em Cuba, desprezar a idéia de uma Nação Cubana (com letra maiúscula!) é algo simplesmente absurdo, sequer é alvo de discussão. Uma frase como “Pátria ou Morte” é um emblema fortíssimo na Argentina, no Equador, na Bolívia... em qualquer país sul-americano. E frise-se: emblema forte não só para as massas, mas também para as lideranças INTELECTUAIS e POLÍTICAS da esquerda (que nem por isso deixam de ser internacionalistas).
O mais incrível é que os nossos bons teóricos percebem isso claramente nos outros (isto é, nos outros países e outras revoluções), mas são INCAPAZES de se proporem a enfrentar de frente esse problema no nosso caso, mesmo quando tem alguma atuação político-social! Quer dizer, o cara se propõe a ser um intelectual engajado, de esquerda e coisa e tal; reconhece a importância da questão nacional em tudo quanto é revolução por aí, mas na hora de estudar essa questão no Brasil, deixa isso para lá! Como é que pode?
A coisa é ainda pior quando o cara é intelectual orgânico de partido de esquerda (normalmente minúsculos). Aí é uma militância de base completamente perdida – porque, no fundo, essa questão é algo mal-resolvida para eles mesmos – sendo guiada por cegos (e “cego”, diga-se, no sentido figurado, de inteligência, porque o cara pode ser cego da vista e ter muito mais visão que muita gente!). É sem dúvida o caso dos PSTU’s da vida e de certos intelectuais de gabinete. No caso do PSOL, acho que, infelizmente, a questão nacional não ocupa no partido o lugar CENTRAL que deveria ocupar, embora seja até colocada por uns e outros.
Aliás, olha a ironia: no próprio PDT e mesmo no antigo PTB, que tinham enormes vícios, um monte de filhadaputa e praticamente nenhuma democracia interna, não se cometia esse erro primário; e o PT, que uniu a nata da intelectualidade e a vanguarda da classe trabalhadora, nunca avançou um milímetro neste sentido! E veja que é um erro que se repete: do mesmo jeito que o antigo partidão desprezou por anos o Caio Prado Jr, o PT sempre desprezou o Darcy Ribeiro – justamente dois caras que, por vias diferentes, não se cansavam de destacar a importância da questão nacional. E o mesmo continua ocorrendo no PSOL, que continua “filho” do PT histórico - uma herança muito boa por um lado, mas ruim neste caso.
Putaqueopariu... são anos e anos literalmente TAPANDO O SOL COM A PENEIRA. Que lástima!
Mas reclamar de fora é fácil. O lance é tentar construir algo também. Com a mais humilde das pretensões, o próprio BONDE se propõe a isso...
... além, é claro, de servir de válvula de escape para o meu pobre desabafo!
Um abraço a todos!
FUSER
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29/04/2009 00:32 A VERDADEIRA DEMOCRACIA
Cuba vive hoje um importante momento de transição. Por um lado, o afastamento de Fidel Castro de suas atividades políticas; por outro, a sinalização, por parte do governo Obama, de novas relações entre EUA e a ilha. Nesta conjuntura, nada melhor que o BONDE para desfazer alguns mitos que ainda persistem na cabeça de muitos, a respeito da Revolução Cubana e do sistema político do país. Vamos lá!
Muita gente, inclusive na esquerda, ainda cai na lorota de que em Cuba não existe democracia. Bem, se for a democracia LIBERAL, aí não tem mesmo. Neguinho enche a boca para dizer que Cuba não é democrática, como se democrático fosse o Brasil, os EUA...
Para começo de conversa, em Cuba há eleições periódicas, com voto livre, secreto e direto de todos os cidadãos. O órgão máximo é a Assembléia Nacional do Poder Popular, que aprova leis, decide sobre sistema monetário e crédito, debate a aprova orçamento, etc. Também pode reformar a constituição, definir e aprovar (ou não) os planos de desenvolvimento. Por fim, é esse órgão que define a linha geral da política externa.
Em Cuba, a Assembléia é unicameral, não havendo a absurda distorção que ocorre no Brasil, por exemplo, onde existe o Senado Federal. Nem por isso há problemas quanto à representatividade de cada província, pois a Assembléia deve ter, no mínimo, dois deputados de cada município (e isso independe da proporção de deputados do país, que é de 1 para cada 20.000 habitantes). Há ainda outras exigências, porque em Cuba há determinado número de deputados que devem ser vinculados à saúde, outros à educação, sindicatos, Federação de Mulheres Cubanas, artistas, imprensa, Forças Armadas, etc. Dessa maneira, os movimentos sociais participam efetivamente do governo do país (e não apenas “fazem pressão”, como no Brasil).
Imagine você, caro leitor: isso significa que a participação no movimento estudantil, por exemplo, permite influir de fato no Parlamento do país! O mesmo ocorre com a participação num sindicato de professores, ou em movimentos culturais e artísticos, etc. Em outras palavras, através dos movimentos sociais, VIVE-SE intensamente a política do país, e não como no Brasil, onde nossa “participação” se resume a uma ridícula consulta de 4 em 4 anos, na qual votamos sem nenhuma participação em nada, em eleições onde o dinheiro e a mídia é que realmente decidem as coisas.
Fidel, ao contrário do que muita gente pensa, sempre participou da Assembléia como um deputado qualquer, cujo voto vale o mesmo que todos os demais. E sempre foi eleito como todos os outros deputados: através do voto popular, em seu distrito eleitoral. Aliás, as eleições em Cuba são infinitamente mais democráticas do que no Brasil, por várias razões. Primeiramente, porque os candidatos NÃO PODEM fazer campanha, instigando as pessoas a votarem nele. Não há “espetacularização” das candidaturas. Não há marketing, nem dinheiro envolvido. A candidatura é simplesmente anunciada de forma direta, perante os eleitores de cada distrito, em assembléias locais. Não é permitido qualquer atividade em prol de uma candidatura (a não ser conversar pessoalmente com os eleitores), e os candidatos não podem ser indicados por nenhuma organização política.
Quer coisa melhor? Numa só tacada, esse sistema extingue os grandes inimigos da democracia, que no Brasil agem impunemente: a mídia, a burocracia partidária, as campanhas milionárias, a compra de votos, o marketing mentiroso, as “pesquisas” de opinião, etc, etc...
Ah! Vale dizer que o voto não é obrigatório, e mesmo assim as abstenções nunca ultrapassaram os 5%! Mesmo no Brasil, onde o voto é obrigatório, há ocasiões que a porcentagem de pessoas que não votam é maior. Além disso, deve-se destacar também o baixo número de votos brancos ou nulos (3,3% e 1,6% nas últimas eleições, por exemplo).
O Executivo, em Cuba, é formado pelo Conselho de Estado e o Conselho de Ministros, ambos eleitos por voto secreto na Assembléia Nacional. Isso significa que o presidente de Estado é eleito duas vezes (uma para deputado, outra na Assembléia). Foi através dessas eleições que Fidel se elegeu continuamente para o cargo de presidente do Conselho de Ministros – sempre respaldado, portanto, pela vontade popular. E, como se não bastasse, em Cuba todos os mandatos podem ser revogados a qualquer momento, segundo normas definidas por lei; além disso, as eleições ocorrem com periodicidade de dois anos e meio, aproximadamente, em datas definidas pelo Conselho de Estado.
É mole? Pensem na FICÇÃO que são as eleições no Brasil, quando comparadas com este sistema...
Pior é ter que aturar a MENTIRA DESCARADA dos grandes meios de comunicação do Brasil e dos demais países capitalistas, que simplesmente afirmam, sem NENHUMA EVIDÊNCIA EMPÍRICA, que em Cuba não há eleições, que Fidel é o “ditador há mais tempo no poder em todo o mundo”, etc. Mas esse tipo de absurdo não é novidade, infelizmente.
Sorte de vocês, passageiros, que o BONDE está aqui para colocar os pingos nos is.
Um abraço a todos!
FUSER
PS: sei que a culpa é minha pela baixa participação nos comentários, já que fiquei dois anos sumido, justamente quando o BONDE tava com um número legal de leitores. Mesmo assim, peço a todos que me ajudem a divulgar o blog, pq eu mal tenho tempo de escrever, que diria de divulgar! Quem é leitor antigo sabe que a coisa fica boa mesmo não é nem nos posts, e sim nas discussões dos comentários. Vamos participar, minha gente! Dá uma força aê! Muito obrigado!
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23/04/2009 17:39 ESSA AQUI É A MINHA NAÇÃO
Olá passageiros do Bonde!
Recentemente, fui a um show do Nação Zumbi no Circo Voador. Embora fã da banda e do movimento Mangue Beat, nunca havia visto os caras ao vivo. Tinha ótimas referências de amigos que já tinham ido a shows do Nação, e finalmente havia chegado a minha vez. Noite ótima, companhias super legais, tudo em cima, bem animado...
Mas aí...
Sei que vou cometer um verdadeiro sacrilégio para muita gente. Alguns amigos meus, que lêem o BONDE, vão querer me crucificar. Mas a verdade é que o show apenas confirmou a opinião que eu já tinha sobre o Nação Zumbi: depois que o Science morreu, virou uma banda simplesmente legal, nada além disso.
Deixe-me embasar minha opinião, antes de me xingar.
Primeiramente, acho o Chico Science um gênio, no nível dos maiores gênios da música brasileira, que infelizmente não é valorizado como deveria. É certo que nos círculos mais “cult” todo mundo o venera, assim como os demais precursores do Mangue Beat (como Mundo Livre, Mestre Ambrósio, e outros). Mas, ainda assim, acho que falta reconhecimento de maneira geral no país. No fundo, é o velho preconceito do sudeste com quem não faz parte do eixo Rio – São Paulo – Bahia.
Veja que o trabalho do Science deixou raízes, não morreu com ele. Sua mensagem continuou nas vozes e sons de muitas outras bandas que, como num feitiço, receberam sua influência e a reverberaram pelo país e pelo mundo. Fico pensando o que ele não teria feito, se estivesse vivo. É um cara que fez e faz muita falta. Dentro da melhor tradição da antropofagia cultural brasileira, o Nação Zumbi criou um som inteligente, inovador, moderno e com raízes ao mesmo tempo... Coisa de visionário mesmo, de gênio.
Acho espetaculares os primeiros discos do Nação. Um verdadeiro manifesto! Não sei até que ponto os méritos devem recair especificamente sobre o Chico Science, mas a verdade é que, sem ele, o Nação nunca mais repetiu aquela excelência em nenhum outro trabalho. Que me desculpem os (muitos) fãs da banda.
As letras sofreram um revés enorme. Science tinha a capacidade número 1 dos grandes poetas: usar poucas palavras e, mesmo assim, dizer muito, expressar sentimentos e idéias complexas. Quem já conhece, pode pular os parágrafos abaixo. Mas quem não conhece, recomendo a leitura ATENTA desses trechos das letras mais antigas, só para dar uma idéia do que estou falando.
- Da Lama ao Caos:
Posso sair daqui pra me organizar / Posso sair daqui pra desorganizar / Da lama ao caos, do caos a lama / Um homem roubado nunca se engana (...) Ô Josué eu nunca vi tamanha desgraça / Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça (...) E com o bucho mais cheio comecei a pensar / Que eu me organizando posso me organizar / Que eu desorganizando posso me desorganizar / Que eu me organizando posso me organizar”
- Banditismo por uma questão de classe:
“Acontece hoje e acontecia no sertão / quando um bando de macaco perseguia Lampião / E o que ele falava muitos hoje ainda falam / "Eu carrego comigo: coragem, dinheiro e bala!" / Em cada morro uma história diferente / Que a polícia mata gente inocente / E quem era inocente hoje já virou bandido / Pra poder comer um pedaço de pão todo fudido / Banditismo por pura maldade / Banditismo por necessidade / Banditismo por uma questão de classe”
- Etnia:
“Somos todos juntos uma miscigenação / E não podemos fugir da nossa etnia / Índios, brancos, negros e mestiços / Nada de errado em seus princípios / O seu e o meu são iguais / Corre nas veias sem parar / Costumes, é folclore é tradição / Capoeira que rasga o chão / Samba que sai da favela acabada / É hip hop na minha embolada / É o povo na arte / É arte no povo / E não o povo na arte / De quem faz arte com o povo (...) Maracatu psicodélico / Capoeira da Pesada / Bumba meu rádio / Berimbau elétrico / Frevo, Samba e Cores / Cores unidas e alegria / Nada de errado em nossa etnia”
- A Cidade:
“E a cidade se apresenta / Centro das ambições / Para mendigos ou ricos / E outras armações / Coletivos, automóveis / Motos e metrôs / Trabalhadores, patrões / Policiais, camelôs / A cidade não pára / A cidade só cresce / O de cima sobe / E o de baixo desce”
Além das letras (e essa é apenas uma pequena amostra), o som era algo transcendental. Maracatu, coco e samba misturado com Heavy Metal e eletrônico... sensacional! Já tinha lido algumas pessoas falarem que o som deles era muito rock e pouca música brasileira, pouco maracatu; mas eu discordo dessa visão, pelo menos para a época do Science. É claro que ao vivo rolava um peso grande das guitarras, e tal, mas o maracatu tava lá ao fundo, forte e presente, dando o tom. E tinha também muita coisa de eletrônico.
Pois bem: não foi nada disso que vi nesse show recente.
Em primeiro lugar, o Nação virou banda de rock pesado, com apenas uma ou outra pitada de percussão, de balanço, de ginga. Os caras das alfaias (aqueles tambores de maracatu) ficam praticamente o show inteiro lá atrás, simplesmente marcando a batida do bumbo da bateria, totalmente coadjuvantes! E isso praticamente no show inteiro, à exceção das músicas antigas e da hora em que eles são chamados para se apresentar ao público (por sinal, as melhores partes do show). O cara da percussão é menos coadjuvante, mas no frigir dos ovos serve mais de acessório para o Heavy Metal do restante da banda.
Eu já acho que deveria ser o oposto. Guitarra e bateria servindo de acessório para o peso da banda, que deveria ser a percussão, as alfaias, o baixo e os eletrônicos. Não acho que é só questão de gosto porque, do jeito que está, o Nação vira simples banda de rock, sem muita originalidade e sem raízes. Eu, sinceramente, acho um reducionismo enorme, um retrocesso em relação ao que era o Nação Zumbi. Fica a sensação que, pelo menos musicalmente, só o Science sabia para onde ia, só ele sabia onde queria chegar e que mensagem passar. O resto da banda pode manter o mesmo discurso, mas em termos artísticos patina e sai da rota, pelo menos na minha opinião. Não consigo entender porque a banda se voltou tanto para o rock pesado, perdendo as raízes com a cultura pernambucana e brasileira, que constituíam parte importantíssima de suas raízes.
Além disso, as letras da banda, sem o Science, são fracas. É claro que há bons momentos: quando a banda fala de “tomar banho no canal quando a maré encher”, por exemplo, faz o que fazia antes, isto é, passam a mensagem de forma contundente e direta, sendo simples e complexa ao mesmo tempo. Não por acaso é uma das músicas mais famosas do Nação pós-Science (e não é só porque a Cássia Eller gravou). Mesmo assim, reparem a contradição do título de outra grande música da nova safra: “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada”. Pô, de maracatu mesmo tem uns 10kg no máximo! E espremendo muito! O resto é rock.
Nem vou falar do tom monocórdio do vocalista (que também desafina muito ao vivo), porque isso é questão de gosto. O fato é que não gostei do show, e fico muito triste em dizer isso, por tudo que o Nação representa. Na verdade, nem mesmo posso dizer que me surpreendi, pois em estúdio já era clara a virada pró-rock da banda. Mesmo assim, achava que talvez a performance iria me fazer mudar de idéia. Não fez.
Mas tudo bem. Críticas feitas, devo dizer que mesmo como banda de rock o Nação ainda é o Nação: uma banda maneira, que vale a pena escutar e ir aos shows. Além disso, essa é só a minha opinião – certamente diferente daqueles muitos que estavam perdendo a linha na roda de headbangers que se formou no Circo!
Um abraço a todos!
FUSER
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